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sábado, 18 de janeiro de 2014
Entrevista exclusiva com Suicide Commando.
Suicide Commando é uma banda old school belga de EBM e foi criada em 1988, por Johan Van Roy. O nome da banda foi tirado de uma música intitulada "Suicide Commando" da banda alemã No More mas, como diz o próprio Johan , esse nome também tem outros significados e inspirações. Considerada hoje em dia uma banda clássica e um dos grandes nomes do estilo, nessa entrevista Johan conta tudo a respeito deles, suas influências, analisa o atual cenário musical e suas expectativas para o show aqui - e em única apresentação no Brasil - na festa de comemoração dos 5 anos do ‘’Projeto Ferro Velho’’ em fevereiro no Inferno Club, em São Paulo.
1 - Sobre o nome "Suicide Commando" é verdade que este nome foi inspirado por uma música antiga da banda No More ? E se não, qual foi a inspiração para o nome ?
Sim, de fato, como eu realmente gostei da música, decidi dar esse nome ao meu projeto.
Mas também se refere aos pilotos suicidas japoneses, principalmente da Segunda Guerra Mundial, também chamados de suicide commando...
2 - O que o levou a escolher esse tipo de música ( EBM \ Industrial) para trabalhar?
Bom, eu cresci no início dos anos 80, no grande “boom” da chamada cena New Wave, com bandas como The Cure, Joy Division, Sisters of Mercy ... Foi apenas um pequeno passo para bandas eletrônicas como Depeche Mode , Fad Gadget, etc ... Não muito mais tarde eu descobri bandas como Klinik, Front 242 ...
Eu estava tão fascinado por este tipo de música que era bastante óbvio que tipo de música eu queria fazer. Eu ainda tentei tocar um pouco de guitarra, mas logo percebi que a música eletrônica era muito mais a minha cara.
3 - Quais são as inspirações para suas letras?
Basicamente pode ser qualquer coisa, algo que eu li nos jornais, vi na TV, ouvi no noticiário ... Basta ligar a sua televisão e você ficar inundado com temas como assassinato, abuso sexual , religião, serial killers ...
4 - Quais bandas o influenciaram quando você iniciou o Suicide Commando?
No começo certamente eram bandas como Front 242 , Klinik , The Neon Judgement , Fad Gadget ... Mas até hoje essas bandas ainda são uma influência para mim e para o meu som .
5 - Quais bandas você ouve atualmente?
Eu escuto todos os tipos de música, mas meu maior amor é e sempre será a música eletrônica.
6 - Aqui no Brasil o Suicide Commando conquistou o público das casas noturna underground desde o primeiro álbum, e cada lançamento traz um novo hit. Você acha que isso acontece porque você está sempre tentando algo novo com a sua música? Os últimos álbuns são muito diferentes dos primeiros, mas ao mesmo tempo, tão potente quanto eles. Você acha que essa é a chave para manter os fãs antigos e atrair os novos?
Eu realmente nunca pensei sobre isso, eu sempre fiz a música que eu queria fazer, eu sempre tive sorte e liberdade para fazer minhas próprias coisas, então eu nunca realmente me importei com as tendências ou direções. Para mim, a música tem que ser uma coisa espontânea, por isso tem que vir do coração. Eu nunca seria capaz de fazer música se não fosse assim.
É verdade que o meu som mudou um pouco ao longo dos anos, mas a base e o espírito ainda são os mesmos como nos velhos tempos. Então, será essa uma das razões pelas quais o Suicide Commando permanece tão bem - sucedido ?
7 - Além da Les Cure 13 , você tem outra banda ou projetos?
Há ainda o meu projeto juntamente com Jan de Noisuf-X / X-fusion chamado Kombat Unit, mas não fazemos nada de novo há mais de 2 anos. Nós dois estamos tão ocupado com as nossos respectivos projetos que é muito difícil encontrar tempo para trabalhar em um novo material, mas “nunca diga nunca”, então quem sabe nós vamos encontrar algum tempo livre em breve novamente ...
8- A mídia cria muitos nomes e divisões para todos os tipos de música , não é diferente com o EBM e a música alternativa eletrônica em geral. Como você define a música do Suicide Commando?
Para ser honesto, eu realmente não gosto de ser colocado em determinadas caixas, em determinados estilos ou tendências, para mim é tudo apenas música eletrônica.
Mas se eu tivesse que definir o meu próprio som que eu diria que é mais próximo do harsch electronic.
9 - Como você se sentiu sobre a turnê Vintage? Como foi tocar os dois primeiros álbuns?
Foi muito divertido e já estou pensando em fazer mais algumas apresentações do Vintage em 2014.
Gostei principalmente da ideia de que o Suicide Commando chega a uma geração totalmente nova de ouvintes, e muitos deles nunca ouviram falar das músicas antigas como " Murder ", " Traumatize " ou " See You in Hell" , e esta foi uma das razões pelas quais eu queria fazer essas apresentações, para mostrar-lhes uma outra face do Suicide Commando
10 - Como foi a experiência de tocar fora da Europa ?
Bem, desde que começamos a fazer shows fora da Europa, todo um novo mercado se abriu para nós e as reações têm sido verdadeiramente incríveis em nossas primeiras viagens para os EUA, México e Canadá, de modo que em breve voltarei lá também.
11- Algumas bandas EBM acrescentam instrumentos ao vivo, em alguns casos, a música soa muito diferente do original , isso acontece com SC?
Sim e não. Nós, na verdade, também adicionamos uma banda de verdade no palco, incluindo bateria acústica e etc, mas isso não muda o som original, apenas acrescenta mais um sentimento vivo, algo que eu estou sentindo falta em um monte de outras bandas eletrônicas.
12 - Há quanto tempo os outros membros que estão vindo para o Brasil trabalham com você ?
Nossa banda ao vivo no momento em que existe de Torben Schmidt (também conhecido por outras bandas como Lights of Euphoria e mais recentemente Binary Park ) e Mario Vaerewijck ( Insekt e início do Vomito Negro) na bateria ao vivo.
Torben já faz parte de nossa equipe ao vivo há mais de 10 anos, Mario se uniu a nós em 2006.
13 - Sobre o set-list, você tem algo especial para o Brasil?
Bem, como eu sei que tem um monte de fãs no Brasil que gostam de nossas obras muito antigas, tenho certeza que irá incluir algumas músicas do nosso conjunto do Vintage em nosso set ao vivo para São Paulo. Por isso, será uma mistura de material velho e novo, algo diferente, que geralmente não costumamos fazer.
14 - Além do Suicide Commando você tem outra profissão?
Além da minha música eu ainda tenho um emprego em tempo parcial em um armazém, e também minha família, á qual tenho que me dedicar.
15 - Você sabe algo sobre a cena underground brasileira ( gótico, EBM, etc ... ) ?
Para ser honesto, eu realmente não estou tão em dia sobre a cena brasileira . Eu conheci bandas como Aghast View ou Deadjump no passado, mas elas pararam ou simplesmente acabei perdendo contato. É um pouco triste ver que a cena de hoje está totalmente dominada pelas bandas Europeias, pois acredito que ainda há música boa o suficiente em outros lugares.
16 - Quais são as suas expectativas sobre o show em São Paulo ?
Espero que esta seja uma noite inesquecível! Não tenho certeza do que esperar como, pois nunca tocamos no Brasil antes, mas de alguma forma eu espero que seja semelhante ao nosso primeiro show no México, que foi um grande sucesso.
17 - Gostaria de deixar uma mensagem para os fãs brasileiros ?
Obrigado a todos pelo seu apoio sem fim ! Estou feliz por finalmente poder tocar no Brasil no início de fevereiro, por isso, esperamos receber a todos lá !
Johan / Suicide Commando
Entrevista feita por: Renato Andrade (Segundo Inverno), Leo EBM e Lu Tonoli (Projeto Ferro Velho)
http://www.suicidecommando.be/
domingo, 22 de dezembro de 2013
Livro: "Na Estrada Com Os Ramones", de Monte A. Melnick.
Na estrada com os Ramones – Monte A. Melnick + Frank Meyer – Edições Ideal
Nem Beatles, nem Rolling Stones. A maior banda da história do rock’n’roll são os The Ramones e ponto final. Claro, você não precisa concordar com essa afirmação, mas pra mim ( e muita gente mais ) os nova-iorquinos colocaram alma, suor, energia, sangue e honestidade de volta ao então decadente e tedioso rock’n’roll. Nada de firulas, nem teclados, nem canções de 12 minutos ou demonstrações de virtuosismo barato.
Muito menos letras sobre dragões, fadas, paz e amor ou outras viagens. Apenas um rock’n’roll poderoso, rústico, curto, direto e com a linguagem das ruas. Repleto ainda sim de belas harmonias e inspirações, vindas / inspiradas em outros mestres como Chuck Berry e Beach Boys. Os Ramones reinventaram o rock. Ou, na verdade, trouxeram a simplicidade e energia perdida por anos de volta a ele, colocando as coisas em seu devido lugar.
O underground sempre amou e respeitou os Reis do Punk Rock. Não importa o estilo sonoro, a influência estava lá, de alguma forma. Uma boa parte da crítica musical também entendia e admirava a banda. Já o mainstream sempre os ignorou, por anos e anos a fio... Até que, aparentemente, reconheceram sua real importância e valor, como estamos vendo nos últimos anos pelo mundo e também aqui. Coisas que nem o fã mais ardoroso poderia imaginar ou sonhar. Ou nenhum deles, na verdade.
Muita coisa foi dita, falada ou escrita a respeito dos Ramones. Tanto pelos próprios caras – em biografias sensacionais, diga se de passagem – quanto por fãs, jornalistas e até alguns aproveitadores de plantão.
Mas faltava algo, ou alguma coisa, para completar alguns detalhes, esclarecer outros um tanto obscuros ainda. De outro ponto de vista ou perspectiva. Vista de/por ‘’dentro’’ da família toda, talvez. E esse livro provavelmente veio para preencher essa lacuna, completar alguns fatos e detalhes históricos da conturbada / gloriosa carreira dos Ramones.
Monte Melnick, o autor, pode ser considerado sem dúvida nenhuma como o 5 Ramone. O cara esteve presente em cada um dos 2.263 shows em 22 anos. Um feito e tanto. Ele foi uma espécie de ‘’faz tudo’’ ao longo de toda a carreira dos Ramones. Desde cuidar de quase toda parte burocrática / empresarial da banda até lidar com as personalidades, egos e esquisitices de cada Ramone. E pode acreditar, não era pouco coisa nem um trabalho fácil. Longe disso.
Esse livro trás a visão, fatos, opiniões e estórias de caras que faziam parte da ‘’máquina’’ Ramones, que faziam a coisa toda andar pra valer. Seja na estrada ou fora dela, e por todos esses anos, em cada canto do planeta. Roadies, motoristas, seguranças, técnico de som / iluminação, contador, advogado, empresários, produtores, etc, todo mundo esta aqui - assim como os músicos todos - contando coisas que você ( talvez ) já sabia, mas também outras bem surpreendentes. Se prepare para dar boas risadas com as loucuras dos caras, mas também sentir a tensão e mágoas que por tempos rondaram a família Ramones. Suas frustrações, decepções, raivas, traições. E claro as vitórias, conquistas, alegrias. Esta tudo aqui, contado por quem viveu cada momento e dividiu uma parte importante da história dos Ramones.
Essa edição nacional é de tirar o chapéu! Com fotos sensacionais, flyers, datas de cada show realizado pela banda e muito mais! Um trabalho realmente caprichado e alto nível !
Então como um fã dos Ramones faça um favor a si mesmo esse compre o livro, imediatamente ! A leitura é muito agradável, rápida, emocionante, direta. Como uma canção deles.
www.edicoesideal.com
Título: Na estrada com os Ramones
Autor: Frank Meyer, Monte A. Melnick
Tradução: Alexandre Saldanha
Editora: Edições Ideal
Edição: 1
Ano: 2013
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 264 páginas
ISBN: 978-85-6288-513-6
Peso: 400g
Dimensões: 230mm x 160mm
Nem Beatles, nem Rolling Stones. A maior banda da história do rock’n’roll são os The Ramones e ponto final. Claro, você não precisa concordar com essa afirmação, mas pra mim ( e muita gente mais ) os nova-iorquinos colocaram alma, suor, energia, sangue e honestidade de volta ao então decadente e tedioso rock’n’roll. Nada de firulas, nem teclados, nem canções de 12 minutos ou demonstrações de virtuosismo barato.
Muito menos letras sobre dragões, fadas, paz e amor ou outras viagens. Apenas um rock’n’roll poderoso, rústico, curto, direto e com a linguagem das ruas. Repleto ainda sim de belas harmonias e inspirações, vindas / inspiradas em outros mestres como Chuck Berry e Beach Boys. Os Ramones reinventaram o rock. Ou, na verdade, trouxeram a simplicidade e energia perdida por anos de volta a ele, colocando as coisas em seu devido lugar.
O underground sempre amou e respeitou os Reis do Punk Rock. Não importa o estilo sonoro, a influência estava lá, de alguma forma. Uma boa parte da crítica musical também entendia e admirava a banda. Já o mainstream sempre os ignorou, por anos e anos a fio... Até que, aparentemente, reconheceram sua real importância e valor, como estamos vendo nos últimos anos pelo mundo e também aqui. Coisas que nem o fã mais ardoroso poderia imaginar ou sonhar. Ou nenhum deles, na verdade.
Muita coisa foi dita, falada ou escrita a respeito dos Ramones. Tanto pelos próprios caras – em biografias sensacionais, diga se de passagem – quanto por fãs, jornalistas e até alguns aproveitadores de plantão.
Mas faltava algo, ou alguma coisa, para completar alguns detalhes, esclarecer outros um tanto obscuros ainda. De outro ponto de vista ou perspectiva. Vista de/por ‘’dentro’’ da família toda, talvez. E esse livro provavelmente veio para preencher essa lacuna, completar alguns fatos e detalhes históricos da conturbada / gloriosa carreira dos Ramones.
Monte Melnick, o autor, pode ser considerado sem dúvida nenhuma como o 5 Ramone. O cara esteve presente em cada um dos 2.263 shows em 22 anos. Um feito e tanto. Ele foi uma espécie de ‘’faz tudo’’ ao longo de toda a carreira dos Ramones. Desde cuidar de quase toda parte burocrática / empresarial da banda até lidar com as personalidades, egos e esquisitices de cada Ramone. E pode acreditar, não era pouco coisa nem um trabalho fácil. Longe disso.
Esse livro trás a visão, fatos, opiniões e estórias de caras que faziam parte da ‘’máquina’’ Ramones, que faziam a coisa toda andar pra valer. Seja na estrada ou fora dela, e por todos esses anos, em cada canto do planeta. Roadies, motoristas, seguranças, técnico de som / iluminação, contador, advogado, empresários, produtores, etc, todo mundo esta aqui - assim como os músicos todos - contando coisas que você ( talvez ) já sabia, mas também outras bem surpreendentes. Se prepare para dar boas risadas com as loucuras dos caras, mas também sentir a tensão e mágoas que por tempos rondaram a família Ramones. Suas frustrações, decepções, raivas, traições. E claro as vitórias, conquistas, alegrias. Esta tudo aqui, contado por quem viveu cada momento e dividiu uma parte importante da história dos Ramones.
Essa edição nacional é de tirar o chapéu! Com fotos sensacionais, flyers, datas de cada show realizado pela banda e muito mais! Um trabalho realmente caprichado e alto nível !
Então como um fã dos Ramones faça um favor a si mesmo esse compre o livro, imediatamente ! A leitura é muito agradável, rápida, emocionante, direta. Como uma canção deles.
www.edicoesideal.com
Título: Na estrada com os Ramones
Autor: Frank Meyer, Monte A. Melnick
Tradução: Alexandre Saldanha
Editora: Edições Ideal
Edição: 1
Ano: 2013
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 264 páginas
ISBN: 978-85-6288-513-6
Peso: 400g
Dimensões: 230mm x 160mm
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
AZT – “Sempre os mesmos” Cd
O AZT foi formado nos meados de ’90 em Coroados, próximo a Guaratuba, litoral do Paraná. E nas palavras da própria banda, a ideia inicial era de apenas “em meio as bebedeiras e alucinações do verão, com o propósito de fazer um som nervoso e insistente e com letras que destilam o nojo pela hipocrisia, ignorância humana e injustiças sociais, com muita ironia, mas sem perder o bom humor”
Gravaram algumas demos e sons para coletâneas, fizeram muitos shows pelo estado do PR e também fora dele. Mas resolveram dar um tempo para a banda logo depois, e entraram em um recesso por um bom tempo...
Anos mais tarde retornam novamente aos ensaios, shows – inclusive abrindo para o Exploited – e com os mesmos caras que iniciaram a banda, o que ajudou a manter a pegada da banda sem nenhuma mudança grande em seu estilo sonoro.
Seu som pode ser descrito como punk rock / hardcore , e me fez lembrar de algumas ótimas bandas dos ’80 e ‘90 do Brasil mesmo inclusive. E até arriscam algumas passagens de ska punk em uma ou outra canção, o que deixou o resultando bem interessante ! As letras são fortes e críticas – mais nada panfletário demais – e com boas doses de humor também, o que é muito bom.
Agora finalmente lançam seu tão aguardado primeiro cd “Sempre os mesmos” , com 14 sons próprios , e com uma gravação excelente, de primeira. Essa longa espera deu um resultado muito positivo para eles, já que é possível sentir toda a energia, força e honestidade que a banda transmite em seu som.
O disco todo no geral é muito bom, mas mesmo assim algumas faixas me chamaram mais a atenção, como as excelentes “Coquetel (intro)”, “Raiva e Frustração”, “Nada Entra Em Sua Mente” e “Vida de Loko”.
Outro destaque do disco e também do AZT é o guitarrista Ricardo Mutant Cox (um dos fundadores do grupo) e que também toca em outras excelentes / populares bandas como os Sick Sick Sinners, Hillbilly Rawhide, Three Bop Pills e 99 Noiz Again !
A banda no momento procura selos / parceiros para ajudar na distribuição / prensagem do cd. Interessados entrem em contato, porque vale muito a pena o investimento, podem apostar !
www.totalmentepodre.com.br
https://www.facebook.com/totalmentepodre
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Meat Is Murder
"Sinto que o progresso espiritual exige-nos que deixemos de matar e comer os nossos irmãos,criaturas divinas,somente para satisfazer os nossos pervertidos apetites dos sentidos" - M.Gandhi
"O homem reina verdadeiramente sobre as bestas,pois a sua brutalidade supera a das mesmas. Vivemos á custa da morte dos outros. Somos todos cemitérios." - Leonardo da Vinci
"A não-violência conduz á ética mais elevada,que é a meta de toda a evolução. Enquanto não deixarmos de prejudicar os outros seres vivos,seremos todavia selvagens." - Thomas Edison
"Comer carne é um assassinato imotivado." - Benjamim Franklin
"Se um homem aspira sinceramente viver uma vida mais amorosa e espiritual,a sua primeira decisão deve ser parar de matar e comer animais." - Léon Tolstoi
"Amai todos os seres viventes e pacificai os vossos espíritos deixando de matar e comer animais;esta é a verdadeira prova da religiosidade." - Buda
"Enquanto permanecemos como sepulturas vivas de animais assassinados,como podemos esperar uma existência ideal sobre o nosso planeta?." - George Bernard Shaw
"O amor direcionado para todas as criaturas vivas é o atributo mais nobre do homem." - Charles Darwin
"Por princípios,eu sou ferveroso seguidor do vegetarianismo. Por razões morais e éticas,eu creio firmemente num sistema de vida vegetariano,ainda que seja só pelo seus efeitos físicos,acredito que influenciará o temperamento do homem de uma forma tal que melhorará em muito o destino da humanidade." - Albert Einstein
"Os animais existem no mundo pelas sua próprias razões. Não foram feitos para o ser humano,da mesma forma que os negros não foram feitos para os brancos,nem a mulher para o homem." - Alice Walker
domingo, 24 de março de 2013
The Generators - Disco novo e shows pela Europa:


E a melhor banda americana de Punk Rock'n'Roll dos últimos anos anuncia algumas novidades boas para esse início de ano. Está saindo em abril um disco com 6 novas canções chamado " The Deconstruction Of Dreams", pelo selo Concrete Jungle Rec. Também mudanças na formação e uma série de shows confirmados na Europa:
TOUR DATES
03.05.13 POLAND-Legionowo, Open Air With Peter & The Test Tube Babies
04.05.13 GER-Berlin, Cortina Bobs
05.05.13 GER-Magdeburg, tba
06.05.13 GER-Hannover, Bei Chez Heinz
07.05.13 GER-Hamburg, Hafenklang
08.05.13 GER-Bremen, Lila Eule
09.05.13 GER-Osnabrück, Bastard Club
12.05.13 GBR-London, Underworld (& Authority Zero & Random Hand)
13.05.13 GBR-Derby, Hairy Dog
14.05.13 GBR-TBA
15.05.13 GBR-TBA
16.05.13 GBR-Newcastle, Trillians
17.05.13 GBR -TBA
18.05.13 GER-Hünxe, Ruhrpott Rodeo With Black Flag & Bad Brains, The Adicts, UK Subs, The Queers
19.05.13 GER-Weilheim/Teck, Kultur Open-Air
20.05.13 GER-Marburg, Cafe Trauma
21.05.13 GER-Saarbrücken, Garage
22.05.13 GER-Freiburg, Walfisch
24.05.13 GER-Pforzheim, Bottich
25.05.12 GER-Chemnitz, Rock'n'Ink With The Meteors & The Last Resort, and The Bones
Mais informações você encontra no site oficinal da banda:
www.the-genereators.com
quarta-feira, 6 de março de 2013
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
terça-feira, 27 de novembro de 2012
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Racionais Mc's: Mil Faces de Um Homem Leal (Marighella)
Mil Faces de Um Homem Leal (Marighella)
Racionais Mc's
A postos para o seu general
Mil faces de um homem leal (2x)
Protetor das multidões
Encarnações de célebres malandros
De cérebros brilhantes
Reuniram-se no céu
O destino de um fiel, se é o céu o que Deus quer
Tô somado, é o que é, assim foi escrito
Mártir, Mito ou Maldito sonhador
Bandido da minha cor
Um novo messias
Se o povo domina ou não
Se poucos sabiam ler
E eu morrer em vão
Leso e louco sem saber
Coisas do brasil, super-herói, mulato
Defensor dos fracos, assaltante nato
Ouçam, é foto e é fato a planos cruéis
Tramam 30 fariseus contra moisés, morô
Reaja ao revés, seja alvo de inveja
Irmão, esquina de velas pra cima de um rebelde
Que ousou lutar, honrou a raça
Honrou a causa que adotou,
Aplauso é pra poucos
Revolução no Brasil tem um nome
Vejam o homem
Sei que esse era um homem também
A imagem e o gesto
Lutar por amor
Indigesto como o sequestro do embaixador
O resto é flor, se tem festa eu vou
Eu peço, leia os meus versos, e o protesto é show
Presta atenção que o sucesso em excesso é cão
Que se habilita a lutar, fome grita horrível
A todo ouvido sensível que evita escutar
Acredita lutar, quanto custa ligar?
Cidade chama vida que esvai
Clama por socorro, quem ouvirá?
Crianças, velhos e cachorros sem temor
Clara meu eterno amor, sara minhas dores
Pra não dizer que eu não falei das flores
Da Bahia de São Salvador brasil
Capoeira mata um mata mil, porque
Me fez hábil como um cão
Sábio como um monge
Antirreflexo de longe
Homem complexo sim
Confesso que queria
Ver Davi matar Golias
Nos trevos e cancelas
Becos e vielas
Guetos e favelas
Quero ver você trocar de igual
Subir os degraus, precipício
Ê vida difícil, ô povo feliz
Quem samba fica,
Quem não samba, camba
Chegou, salve geral da mansão dos bamba
Não se faz revolução sem um fuga na mão
Sem justiça não há paz, é escravidão...
Revolução no Brasil tem um nome...
A postos para o seu general
Mil faces de um homem leal (2x)
Marighella
Essa noite em São Paulo um anjo vai morrer
Por mim, por você, por ter coragem em dizer
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
terça-feira, 25 de setembro de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Hepcat "Hooligans"
Listen my brother and understand
Don't play like a donkey if you're really a man
You don't fool a soul when you wear sharp studs
Your mouth is dirty and you cuss a bad word
Hooligans, hooligans make up your mind
Hooligans, hooligans this is the time
Hooligans, hooligans make up your mind
Woooaa, mother been weeping, woooaa
We were no more strangers (yes, I pray)
We were more than friends (battles came down)
Yet the battles were splintered
all over the place
Hooligans, hooligans make up your mind
Hooligans, hooligans this is the time
Hooligans, hooligans make up your mind
Woooaa, woooaa
Always come up and always rude
Smashing things and breaking rules
Man, what do you think you are?
A little beast, for sure.
Hooligans, hooligans make up your mind
Hooligans, hooligans this is the time
Hooligans, hooligans make up your mind
Can't a woman's tender care (return you now)
Change from all the child she beared
We were no more strangers (yes I pray)
We were more than friends (battles came down)
Yet the battles were splintered
all over the place
Hooligans, hooligans make up your mind
Hooligans, hooligans this is the time
Hooligans, hooligans make up your mind
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Entrevista exclusiva com os Stiff Little Fingers.
Essa entrevista com o Stiff Little Fingers foi feita alguns dias antes do show em São Paulo. E foi publicada originalmente na revista "Comando Rock", edição 79 ! Quem respondeu as minhas questões foi Mr.Jake Burns....
Que lembranças você têm do show que fizeram aqui em São Paulo, no começo dos 2000?
A principal é o quanto ás pessoas foram amigáveis conosco. Obviamente foi uma experiência muito interessante ter tocado no Brasil, ainda mais porque nunca havíamos tocado por aí. Nós não tínhamos idéia se as pessoas nos conheciam ou não, mas quando subimos no palco nos deparamos com uma platéia muito animada e amigável, foi fantástico.
Naquele show o baixista era o Bruce Foxton (ex-The Jam). Algum motivo especial para ele deixar a banda, depois de estar tanto tempo com vocês ?
Bruce não queria fazer tantas tours quanto gostaríamos e queríamos, então ele preferiu sair. Nós lamentamos muito sua saída, afinal de contas, além de ser um músico fantástico, ele esteve conosco por mais de quinze anos. Então quem o substituir teria uma grande responsabilidade.
E, por outro lado, a banda ganhou com o retorno do baixista Ali McMordie, da formação original!
Sim, como eu disse, qualquer um que entrasse teria que assumir uma grande responsabilidade e Ali seria o único que poderia faze-lo, sem contar que todos nós queríamos ele, foi tudo muito mais fácil. No entanto, desde quando ele nos deixou, antes da entrada de Bruce, ele construiu e consolidou uma carreira excelente como gerente de turnê, então eu não poderia pedir para ele deixar essa carreira. Nós conversamos e ele queria muito tocar conosco, continuar as turnês e tudo, mas ele tinha compromissos que não podia simplesmente deixar de lado. Então, nós concordamos que os dois trabalhos não poderiam se chocar e caso ocorresse, que marcaríamos em outras datas para podermos seguir assim. Até agora não havia acontecido isso, e tocaríamos na América do Norte e América do Sul, mas infelizmente agora aconteceu e ele não poderá sair nesta turnê conosco, mas eu falei com meu amigo Mark DeRosa da banda Dummy, para entrar no lugar de Ali e eu tenho certeza que você irão recebe-lo muito bem.
Com mais de trinta anos de carreira, o S.L.F é uma das bandas mais respeitadas e influentes da primeira geração do Punk Rock. Em algum momento vocês pensaram que chegariam tão longe, e com tamanha popularidade?
Nunca, de forma alguma. Quando nós começamos, como a maioria das bandas eu acho, nós pensávamos que seria algo divertido para fazermos no nosso tempo livre. Sempre pensávamos em tocar, gravar um disco fazer uma ou duas turnês talvez, mas nunca imaginamos que teríamos uma carreira tão longa. Nós tivemos muita sorte pelo nosso público (em sua maioria torcedores de futebol) sempre ter nos apoiado e dado todo o suporte que precisamos ao longo de todos esse anos, essas pessoas falavam do SLF como sendo banda deles e continuaram conosco, nos apoiando. Eu estava folhando uma revista e nela tinha uma matéria sobre nós dizendo que éramos “a banda do povo”, acredito que esse é um dos motivos pelo qual o nosso público continuou com a gente, eles sempre souberam e perceberam que nós somos iguais a eles, nunca fomos estrelas ou metidos a astros do rock.
É verdade que a idéia e inspiração de montar o Stiff Little Fingers veio depois de assistirem um show do The Clash, em Belfast?
Não. Nós já éramos grandes fãs do Clash, eles sempre foram a nossa principal influência, mas nós já havíamos formado a banda antes de assistir a um show deles.
Vocês fizeram uma homenagem ao Joe Strummer, alguns anos atrás, na música “Strummerville”. Ele faz muita falta hoje em dia, tanto como músico ou como pessoa, com sua morte tão prematura. Um dos grandes talentos da história da música...
Sim, como eu disse, nós sempre fomos fãs do Clash e eles eram uma grande influência. Quando Joe morreu muitos veículos de comunicação (tv, rádio, revistas) me convidaram para falar o que eu pensava dele, quanto mais eu falava sobre ele mais eu pensava que deveria escrever meus sentimentos sobre ele e fazer uma música, e foi o que fiz. Foi muito fácil escrever a música porque ele nos influenciou tanto, não só na forma que tocamos mas também no modo como levamos nossas vidas.
Um ponto em comum entre as duas bandas também é a influência da música Reggae. Como surgiu o interesse do S.L.F pelo estilo jamaicano?
Foi muito fácil de se interessar já que tem ótimas canções. Os compositores jamaicanos pareciam ter vidas parecidas com as nossas, crescendo cercados de violência (normalmente inspirados politicamente) e tinham que lidar com isso diariamente. Houve muitas semelhanças, que tornaram esse tipo de som algo muito irresistível para nós.
É verdade que o U2 começou a carreira abrindo alguns dos seus shows, ainda em Belfast? Eles costumam mencionar o S.L.F como uma das grandes influências da banda..
Não. O U2 nunca nem tocou no mesmo show que nós, ou vice versa. Eles tem a gentileza de dizer que nós fomos uma das influências deles para começarem a banda e até mesmo no som, todos nós nos conhecíamos, fazíamos parte da mesma coisa mas, não os vejo ou falo com eles há um bom tempo. No entanto eles continuam sendo uma grande banda.
Uma pessoa que ajudou no início da carreira do grupo foi o lendário radialista John Peel - que tinha um programa muito popular, na rádio BBC de Londres - um dos primeiros a tocar uma música do SLF no rádio. Qual foi a importância dele na história da banda?
Eu diria que John Peel foi crucial para nós mas, não apenas para nós, e sim para muitas bandas dos anos 60 em diante. Na verdade eu diria que John Peel foi á figura mais importante no rock britânico desde os anos 60 até a sua morte prematura há alguns anos atrás.
O S.L.F já teve muitas músicas/versões gravadas por diversas bandas. Qual é sua versão favorita, dentre tantas?
Na verdade, minha favorita é de uma banda sul americana. O Attaque 77 é uma banda da Argentina, e gravou a nossa música “Listen”, eu achei que a versão deles ficou muito boa.
O que você pensa sobre bandas de Punk Rock americanas que tem forte influência de música irlandesa como, por exemplo, os Swingin’Utters, Dropkick Murphys, Floggin Mollyn e muitas outras?
Obviamente em sua grande maioria essas bandas são influenciadas pelo The Pogues. Eu gosto do que elas fazem mas, me parece um pouco estranho que essas bandas não sejam de fato irlandesas, ainda que toquem música inspirada nesse estilo mas, elas não são de lá de fato.
Parece que exitem planos do S.L.F para um novo álbum, certo? Alguma previsão de lançamento?
Eu ainda estou escrevendo as letras mas, estamos próximos de finalizar as composições da forma que gostaríamos. Esperamos entrar em estúdio até o começo do ano que vem, eu odiaria ver outro ano se passar sem lançarmos um disco.
O que os fãs podem esperar ? Talvez algo mais na linha antiga, dos primeiros discos?
Não posso dizer até terminarmos. Eu penso que o nosso último álbum Guitar & Drum (2004) soou mais como nossas coisas antigas, mas hoje nós tocamos bem melhor do que antigamente e nós não podemos mudar isso, não se pode simplesmente desaprender e nós não queremos que isso aconteça também. Acredito que nunca soamos tão bem ao vivo, quanto hoje em dia, então acho que o novo álbum irá soar como: “o novo álbum”.
Mudando de assunto, como você analisa os recentes conflitos em Belfast?
Triste. A grande maioria das pessoas que moravam lá se mudaram. E estão tentando construir e consertar as pontes entre as comunidades. Outros simplesmente não vão deixar o passado e esses devem viver nele. Eu ainda acho que o passado virá em forma de violência.
O S.L.F sempre teve uma preocupação com o tema de suas letras. Você acredita que a música ainda é uma forma de tentar mudar algo, seja ela em um nível mais político ou pessoal, por exemplo?
Nós não podemos mudar o mundo com uma canção, ninguém pode. Mas você pode fazer uma pessoa pensar sobre a forma como age e se comporta. Você pode fazer alguns questionamentos sobre suas opiniões, sobre alguns assuntos e fazer a pessoa pensar o que é certou ou não. Basicamente isso sempre foi o que quisemos fazer e atingir, e espero que tenhamos conseguido.
E quais são suas expectativas para o show aqui em São Paulo? Alguma surpresa no setlist?
Nós sempre tentamos tocar músicas de todos os períodos da banda, mas tendo dito isso, nós fazemos isso a tanto tempo que é difícil decidir o que pode e deve ou não ficar de fora. Vocês irão ouvir aquilo que mais marcou a nossa carreira.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
The Violators "Summer Of '81"
'Summer of 81'
There's blood on the street
And the smell is so sweet
'Cos another blue bastard has gone down
See the boots swarmimg round his head
They're gonna see him dead
Nightstick in his hand
He tried to rule this land
That's no way to make a country great
It takes more, more than force
You've got to give it a voice
So it's goodnight to one more fascist clown
We've got a right, you can't keep us quiet
We've got a riot, we've got a riot
This is our answer to your law!
Don't shed no tears for him
His life was lived in sin
No one has the right to order you
Don't be told what life is about
Brixton riot riot
Toxteth riot riot
Bristol riot riot
Moss Side riot riot
England riot riot
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Entrevista: Adolescents.
Os Adolescents tem um papel muito importante na história do Punk americano. Seus integrantes sempre estiveram envolvidos com bandas marcantes para a cena, antes e depois dos Adolescents. E, musicalmente, a banda estava sempre um passo a frente das demais. Basta ouvir o seu fantástico primeiro álbum, de 1981, onde fica claro que já eram ótimos músicos, apesar de serem ainda muito jovens, criando canções com estruturas muito diferentes para os padrões musicais do punk rock americano até então. A banda marcou época e virou referência no cenário, sendo influência para centenas de outras posteriores.
As vésperas do primeiro show no Brasil, em uma entrevista exclusiva, o vocalista Tony Cadena e o baixista Steve Soto falaram um pouco da sua longa carreira, da cena californiana nos anos ‘80, da relação sempre conturbada com o ex-guitarrista Rikk Agnew. E as expectativas para o primeiro show no Brasil junto com os Buzzcocks! Ah, essa entrevista foi publicada na revista "Comando Rock", edição 72, poucas semanas antes do primeiro show dos caras em São Paulo, no ano passado. Apesar do tempo, penso que ela continua atual e relevante em muitos pontos e tópicos !!
Como está sendo o ano para os Adolescents?
Tony: Todo dia é um grande dia.
Steve: Um grande ano. Até agora temos feito grandes shows com antigos amigos como o Bad Religion, Youth Brigade, Agent Orange e The Dickies. E alguns novos amigos como o Rancid e Pennywise. Fizemos um novo álbum, temos novos tênis... Um bom ano para nós, e nós finalmente iremos tocar no Brasil com o Buzzcocks!
Vocês estão lançando também o novo álbum, The Fatest Kid Alive. Vocês podem nos contar um pouco sobre o mesmo?
Tony: São no total 14 novas canções. É um outro grande álbum.
Steve: É rápido e é alto. Em breve será mais fácil de roubar...
Desde o retorno oficial vocês não pararam mais de tocar. Qual a diferença agora para os outros tempos?
Tony: Nós tocamos na América do Norte, Europa e Ásia. Em breve, tocaremos na América do Sul para milhares de pessoas ao invés de tocar na garagem da minha mãe em Anaheim para oito pessoas e meu cachorro.
Steve: A cachorra foi nossa primeira fã até começarmos a ficar famosos. Ela nos deixou para procurar música mais underground. Logo que chegamos às rádios, a cachorra começou a latir “traição”... Sério. Acho que a diferença agora é que as coisas no passado que causaram os desvios na banda como o abuso de substâncias, problemas pessoais, etc, ficaram todas para o final do dia. Tony e eu decidimos que a banda era mais importante do que qualquer membro e que se alguém fosse prejudicial à banda, este deveria ser substituído.
As constantes mudanças na formação não atrapalham demais? Ou possuem outras alternativas para isso não ser mais um grande problema? (parece que a banda tem outros músicos quando os principais não podem sair em turnês)
Tony: Isso nunca foi um problema para mim ou para o Steve. Embora deva ser um problema para outra pessoa, que deixou a banda.
Steve: Nunca foi um problema. A banda toca melhor do que nunca e a grande coisa é que os caras que não estavam na formação original eram grandes fãs da banda. Então eles são tão apaixonados pela música como Tony e eu.
Rikk Agnew (um dos fundadores do Adolescents) esteve no Brasil fazendo alguns shows recentemente. Mantém contato com ele hoje em dia?
Tony: Rikk, bem, ele não é um membro fundador dos Adolescents. Steve, Franco ( Frank Agnew ) e eu somos membros fundadores. Rikk juntou-se cerca de oito meses mais tarde como o nosso baterista. Ele não tocava muito bem. Então ele se mudou para a guitarra. Ah, sim, com certeza! Temos um relacionamento: Somos amigos no Facebook.
Steve: Eu conheci Rikk e Tony quando eu estava no Agent Orange. Quando eu saí da banda, eu já estava pensando em começar uma nova com o Tony. Eu perguntei ao Rikk se ele estava interessado, ele disse que não. Ele estava em uma banda chamada The Detours. “Mas você deve perguntar ao meu irmão mais novo” sugeriu Rikk. E foi o que fizemos, e assim Franco veio a bordo da primeira formação dos Adolescents, construíram as bases para o que estava por vir. Estávamos fazendo melhores shows e nos estabelecendo em Los Angeles e Orange County tendo um desempenho melhor do que o The Detours (que consistia em Rikk e Casey – futuro baterista dos Adolescents - e mais alguns caras). De qualquer maneira Rikk se juntou a banda porque estávamos melhores do que sua antiga banda. Ele trouxe grandes canções também! Mas como o Tony disse, já tínhamos mais de oito meses de formação. E sim! Somos grandes amigos no Facebook!
Ele inclusive esteve no retorno da banda, chegando a participar da gravação do dvd em 2003 (na conceituada casa House of Blues). Alguma razão especial para ele não estar mais com vocês? (Parece que rola uma relação de amor/ódio entre os Adolescents/Rikk Agnew. O músico quando esteve aqui também criticou seus antigos companheiros de banda).
Tony: Rikk não está mais na banda porque eu o despedi. Ou o Steve o despediu. Ou nós dois fizemos isto. Nada pessoal. Você pode muito bem entrar em contato com ele e levá-lo de volta ao Brasil. Ele talvez aceite.
Steve: Primeiramente, Rikk não esteve nos Adolescents nos últimos sete anos. Nós o amamos, mas a situação chegou ao ponto no qual Rikk não aparecia mais nos shows. Nós apreciamos nossos fãs e não sentimos que eles merecem alguém assim. Nos anos que se passaram, nós continuamos a tocar nossas músicas por toda a América do Norte, Europa e Japão. A banda avançou e eu percebi que nunca estivemos no Brasil. Nós devemos continuar a seguir em frente e nos adaptar a essas questões. São sete anos que se passaram, então para nós é tudo passado.
Falando ainda no Rikk, a família Agnew sempre foi importante nos Adolescents. Frank (irmão do Rikk), Alfie (irmão mais novo dos dois) e Frank Agnew Jr (filho do Frank) estão/ou já passaram pela banda!
Tony: Os Agnews viveram praticamente na mesma casa que nós. Eles eram a escolha lógica para as substituições na base da banda. Eles também são quatro fantásticos guitarristas. Enfim, eles sempre são bem-vindos a juntar-se conosco quando bem entenderem.
Steve: O Frank não gosta de viajar, mas sempre toca em shows conosco no sul da Califórnia.
O baterista Derek O’Brien ( que também tocou com o Social Distortion/Agent Orange/D.I/ Generators ) esteve um bom tempo nos Adolescents. Qual a razão da saída dele?
Tony: Derek? Vamos falar dele antes de discutir sobre o Casey? (risos). Derek estava com a banda por sete longos anos. Ele deixou a banda porque eu o demiti, ou o Steve o demitiu, ou nós dois fizemos isto.
Steve: O que podemos dizer sobre um cara que foi demitido da maioria das bandas as quais ele tocou?
Tony: Eu diria que anunciaríamos “contratamos bateristas” nos classificados.
Alguns integrantes dos Adolescents formaram outras bandas nos anos '80, e que também são importantíssimas para a cena americana como o D.I, Christian Death, ADZ, Abandoned,entre outras...
Tony: Bem, incrível não? Nós todos tocamos música por grande parte de nossas vidas. E nós todos temos muitos amigos na cena local de música. Eu acho muito interessante que tenhamos nos focado nos anos 80 e não nos 90. Nós temos sido muito proféticos o tempo todo. Steve, Rikk, Casey, Frank e eu gravamos no total 15 álbuns cada um separados dos Adolescents ( D.I, projetos solos de Rikk, do Steve, o ADZ, Joyride, Flower Leperds, 22 Jacks, Legal Weapon, Abandoned, Christian Death, Poop...)
E ainda Steve, Frank e Rikk fizeram parte de duas outras bandas que são ícones do Punk americano, e antes do Adolescents ser formado: Agent Orange e Social Distortion! Vocês podem falar algo sobre esse período?
Tony: Eu estava na platéia. Peguei o microfone deles e tentei ser o cantor. Não funcionou muito bem.
Steve: Eu comecei o Agent Orange com o Mike Palm e o Scott Miller. Foi a minha primeira banda. Mike queria ser o único compositor e eu tinha canções que eu havia escrito mais não podíamos toca-las. Assim, não estava funcionando para mim. No final, acabou funcionando melhor para ambos. Eu comecei o Adolescents com o Tony e fui capaz de escrever as canções também. Eu amo ver que Mike ainda toca. Nos acabamos de tocar juntos em uma turnê dupla do Adolescents com o Agent Orange e foi ótimo vê-lo novamente. Nós vivemos em cidade diferentes, mas eu amo quando eu tenho a chance de rever meu amigo. Agent Orange é uma grande banda e eu me sinto orgulhoso de ter feito parte da mesma.
A cena californiana era grande quando vocês começaram, com bandas excelentes como Black Flag, Bad Religion, TSOL, Agent Orange, Dead Kennedys, Social Distortion, Circle Jerks, 7 Seconds, Youth Brigade e tantas outras! Como era a atmosfera dos shows nessa época? Quais os clubes mais legais para show nesses tempos?
Steve: Na verdade, a cena não era tão grande quando nós começamos. Não havia o Bad Religion, ou o Youth Brigade ou o TSOL. Essas bandas vieram um pouco depois de nós. No começo, a cena era pequena em LA. Nós vivíamos nos subúrbios e não era “legal”. Mas o punk começou a fazer sentido aos entediados adolescentes e assim a cena foi crescendo. Todas as crianças agitadas começaram a tocar em festas caseiras para um punhado de pessoas e no final, estavam tocando para platéias de três mil punks.
Tony: Grandes bandas, ótimos shows. A atmosfera? Cheirava a cerveja choca, cigarros e sexo. Quase como é hoje.
Rolava uma camaradagem entre as bandas ou algum tipo de “competição” mesmo? Que bandas vocês curtiam ou costumavam tocar juntos?
Tony: Competição? Com certeza. Ninguém vai concordar com isso, mas sempre houve em um nível amigável. Nós todos amamos as outras bandas.
Steve: Minha banda favorita, pessoalmente falando, era o Circle Jerks. Nós tocamos muito com eles, eu estava em todos os shows da banda. Mas todas as bandas eram ótimas. Bad Religion, Social Distortion e todos nós apoiamos umas as outras. Mas claro, havia uma competição natural também.
O que vocês acharam do documentário “American Hardcore”? Através dele dá pra ter uma idéia próxima do que era realmente o Punk nos Estados Unidos, nos anos ’80?
Tony: Acho que Paul Rachman e Steve Blush fizeram um grande trabalho.
E qual a real importância de fanzines como a Maximum RocknRoll e Flipside para a cena Punk americana na opinião de vocês?
Tony: Eu estarei sempre em dívida com Al Kowlewski e Tim Yohannon (editores de ambos os fanzines) pela paixão deles e amor pelo rock n’roll na Califórnia.
Steve: Os fanzines eram fantásticos e também ajudaram a ensinar sobre as bandas fora da Califórnia como Husker Du, The Replacements, Bad Brains, etc.
O primeiro lp dos Adolescents é um verdadeiro clássico do Punk; ainda muito forte e atual, e até hoje vendendo muito bem! E vocês eram muito jovens quando gravaram ele também... Em algum momento perceberam que estavam criando um disco tão marcante e influente dentro da cena?
Tony: Com certeza. Nós pensávamos que íamos ser a maior banda que Anaheim e Fullerton iria ver. A maior banda que sairia de uma garagem na Syracuse Avenue.
Steve: Eu realmente apenas queria que a cachorra do Tony gostasse de nós. Mas sério, nós sempre fomos muito apaixonados por nossa banda. Mesmo sendo desaprovada no começo e se encontrando muito distante do mainstream. Eu me lembro do pai do Rikk e do Frank sempre nos dizendo para sermos mais comerciais, se quiséssemos nos tornar bem sucedidos. Sinto-me muito feliz de nós não termos dados ouvidos a ele. Fizemos o CD que queríamos fazer com nenhuma idéia de onde este nos levaria. No verão passado em turnê, Tony e eu fomos ao telhado do nosso hotel no qual tínhamos um vista para um vinícola na Croácia e começamos a gargalhar de tão incrível que é ver o mundo após nosso começo como banda punk, onde todos falavam que iríamos falhar.
Qual é a verdadeira estória por trás da letra de “Kids Of The Black Hole” (canção presente no primeiro álbum)?
Tony: O “Black Hole” (buraco negro) era um apartamento do Mike Ness (Social Distortion). Foi lá que nós desperdiçamos todo o nosso ano.
Steve: 1700 E. Wilshire Avenue, Fullerton, CA. Jogue esse endereço no Google Maps, faça um tour por satélite. A canção é a história. Cada palavra de nossa verdade. Essa era nossa vida em 1980.
Muitas bandas já fizeram covers de vocês, como o NOFX e Dropkick Murphys, por exemplo. Que versões curtiram feitas por outras bandas?
Tony: Eu sou muito lisonjeado por cada banda que toca nossas canções. Essa é a coisa mais legal no mundo. Eu realmente amo NOFX, Fu Manchu, Mudhoney, Dropkick Murphys, D.I, Rikk e o que cada um desses que eu citei fez com nossas canções. Eles são fantásticos. É ótimo ouvir outras vozes em nossas canções.
E as expectativas de tocar em um país pela primeira vez, no caso o Brasil?
Tony: Bom. É sempre excitante tocar para um público o qual nunca tocamos antes. Apesar do “jet lag” e da fadiga, há apreensão, stress e excitação. É uma montanha russa emocional. Eu sempre quis vir ao Brasil.Será incrível!
Steve: Muitos de nossos amigos já tocaram no Brasil e todos não tiveram nada mais do que apreço pela cena musical. Nós estamos muito excitados pelo que vai vir.
O show vai rolar com os Buzzcocks, outra lenda do Punk. Vocês curtem o som deles ou de outras bandas inglesas?
Tony: Eu amo os Buzzcocks. Eles são minha banda favorita. Outra banda inglesa... Eu gosto dos Kinks, bastante. Os Beatles, eles têm algumas boas canções também.
Steve: Estou muito feliz em tocar com o Buzzcocks. Gosto muito também, em relação às bandas inglesas do The Damned, SLF, Sham 69, Generation X e especialmente do The Clash.
Com 30 anos na estrada, tem alguma coisa que ainda que não foi conquistada por vocês?
Tony: Nenhum de nós mudou de sexo.
Steve: Ainda não, mas não descartamos a hipótese.
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