Na estrada com os Ramones – Monte A. Melnick + Frank Meyer – Edições Ideal
Nem Beatles, nem Rolling Stones. A maior banda da história do rock’n’roll são os The Ramones e ponto final. Claro, você não precisa concordar com essa afirmação, mas pra mim ( e muita gente mais ) os nova-iorquinos colocaram alma, suor, energia, sangue e honestidade de volta ao então decadente e tedioso rock’n’roll. Nada de firulas, nem teclados, nem canções de 12 minutos ou demonstrações de virtuosismo barato.
Muito menos letras sobre dragões, fadas, paz e amor ou outras viagens. Apenas um rock’n’roll poderoso, rústico, curto, direto e com a linguagem das ruas. Repleto ainda sim de belas harmonias e inspirações, vindas / inspiradas em outros mestres como Chuck Berry e Beach Boys. Os Ramones reinventaram o rock. Ou, na verdade, trouxeram a simplicidade e energia perdida por anos de volta a ele, colocando as coisas em seu devido lugar.
O underground sempre amou e respeitou os Reis do Punk Rock. Não importa o estilo sonoro, a influência estava lá, de alguma forma. Uma boa parte da crítica musical também entendia e admirava a banda. Já o mainstream sempre os ignorou, por anos e anos a fio... Até que, aparentemente, reconheceram sua real importância e valor, como estamos vendo nos últimos anos pelo mundo e também aqui. Coisas que nem o fã mais ardoroso poderia imaginar ou sonhar. Ou nenhum deles, na verdade.
Muita coisa foi dita, falada ou escrita a respeito dos Ramones. Tanto pelos próprios caras – em biografias sensacionais, diga se de passagem – quanto por fãs, jornalistas e até alguns aproveitadores de plantão.
Mas faltava algo, ou alguma coisa, para completar alguns detalhes, esclarecer outros um tanto obscuros ainda. De outro ponto de vista ou perspectiva. Vista de/por ‘’dentro’’ da família toda, talvez. E esse livro provavelmente veio para preencher essa lacuna, completar alguns fatos e detalhes históricos da conturbada / gloriosa carreira dos Ramones.
Monte Melnick, o autor, pode ser considerado sem dúvida nenhuma como o 5 Ramone. O cara esteve presente em cada um dos 2.263 shows em 22 anos. Um feito e tanto. Ele foi uma espécie de ‘’faz tudo’’ ao longo de toda a carreira dos Ramones. Desde cuidar de quase toda parte burocrática / empresarial da banda até lidar com as personalidades, egos e esquisitices de cada Ramone. E pode acreditar, não era pouco coisa nem um trabalho fácil. Longe disso.
Esse livro trás a visão, fatos, opiniões e estórias de caras que faziam parte da ‘’máquina’’ Ramones, que faziam a coisa toda andar pra valer. Seja na estrada ou fora dela, e por todos esses anos, em cada canto do planeta. Roadies, motoristas, seguranças, técnico de som / iluminação, contador, advogado, empresários, produtores, etc, todo mundo esta aqui - assim como os músicos todos - contando coisas que você ( talvez ) já sabia, mas também outras bem surpreendentes. Se prepare para dar boas risadas com as loucuras dos caras, mas também sentir a tensão e mágoas que por tempos rondaram a família Ramones. Suas frustrações, decepções, raivas, traições. E claro as vitórias, conquistas, alegrias. Esta tudo aqui, contado por quem viveu cada momento e dividiu uma parte importante da história dos Ramones.
Essa edição nacional é de tirar o chapéu! Com fotos sensacionais, flyers, datas de cada show realizado pela banda e muito mais! Um trabalho realmente caprichado e alto nível !
Então como um fã dos Ramones faça um favor a si mesmo esse compre o livro, imediatamente ! A leitura é muito agradável, rápida, emocionante, direta. Como uma canção deles.
www.edicoesideal.com
Título: Na estrada com os Ramones
Autor: Frank Meyer, Monte A. Melnick
Tradução: Alexandre Saldanha
Editora: Edições Ideal
Edição: 1
Ano: 2013
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 264 páginas
ISBN: 978-85-6288-513-6
Peso: 400g
Dimensões: 230mm x 160mm
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domingo, 22 de dezembro de 2013
terça-feira, 25 de maio de 2010
Deal's Gone Bad - "The Ramblers" cd

Um disco que saiu faz um tempo, e por algum motivo idiota e estúpido não fiz uma resenha dele antes, mas como diria meu amigo Koré " fuck off!!!!", ou antes tarde do que nunca, para soar menos deselegante...hehehe.
Puta que pariu, é possível fazer uma festa somente com esse disco tocando a noite toda! Ele é muito contagiante e alto astral, na minha opinião uma das melhores, ou a melhor, banda que surgiu na cena Ska americana nos últimos 15 anos, fácil. Esse é o 4 disco dos caras, e pelo que sei não saiu outro ainda. Se nos discos anteriores o som transitava entre o Ska e Rock Steady com muita competência, nesse a parada é outra. Na estréia do novo vocalista, Todd Hembrock, a sonoridade mudou para uma maravilhosa combinação da música jamaicana com o Soul americano, e que resultado !
Como eles mesmo dizem, uma mistura em alta sintonia, entre Desmond Dekker e Sam Cooke, Jimmy Cliff e Otis Reading.... que beleza! E conseguiram um resultado espetacular, de ponta a ponta é emocionante e mantém o alto nível o disco. Não consigo destacar uma faixa como a melhor, como disse antes e caindo na repetição, todo o álbum é nota 10. Mas o coração deu uma disparada na " Movin'On ", que música bonita !!! E também em " One More Day "...outra de chorar...e em " I Was Wrong ", que encerra em grande estilo, e você fica com vontade de ouvir tudo novamente. Destaque para a arte, muito legal mesmo, encarte com fotos e letras, disco original é outra coisa né, e tem gente que se contenta só com mp3, vai entender.... Interessou ? Dá uma olhada no myspace deles, tem umas faixas pra ouvir e clips, assim como informações da banda. É isso !
www.myspace.com/dealsgonebad
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Grito Suburbano - Lp (1982)


È muito difícil explicar em palavras o que significou este lançamento no Brasil, tanto musicalmente quanto culturalmente. O impacto depois de tanto tempo ainda é sentido com esta verdadeira obra de arte do punk brasileiro. Muita coisa acontecia politicamente no país em ´82, ditadura militar, forte repressão policial, meios de comunicação como jornal, rádio/televisão e a censura ditavam o que devia ser consumido pelo povo ou não ( que em sua grande maioria não questionava nada... ). E se os jovens tem opções de lazer/cultura alternativa hoje, liberdade de expressão, o mesmo não acontecia na época, imagina então para jovens que moravam na periferia extrema de São Paulo ! A indústria fonográfica era dominada pelas grandes corporações, que obviamente não tinham nenhum interesse em ouvir o que essa garotada dizia em sua canções barulhentas e cheias de raiva! Se lá fora as bandas punks começaram em grandes selos e com um estrutura para gravar seus discos/equipamento de primeira ( Ramones, Pistols, Clash, Stiff...) aqui o negócio era bem diferente! S
em estúdio decente, técnico de gravação familarizado com este estilo de som, equipamento bom,enfim, estrutura, a
alternativa foi partir para o "do it yourself"... Se não tinha selo então o lançamento/distribuição ficou a cargo da Punk Rock Discos, que era de propiedade do Fábio, vocal do Olho Seco, e com as ( poucas ) opções que tinham as bandas entraram no estúdio em ´82 ( na verdade pela primeira vez ´81, mas segundo Clemente, dos Inocentes,... "a gravação ficou tão ruim que tiveram que retornar em ´82"... ) e o resultado final é esse que conheçemos hoje. E se o disco não prima pela qualidade na gravação ( quem se importa com esse detalhe, sabendo de todas as dificuldades da época, não é mesmo?) ele esbanja em fúria, atitude, audácia, personalidade, sinceridade, raiva... Um verdadeiro grito de contestação vindo das ruas de São Paulo, de jovens que não se conformaram com o que era imposto para eles, e criaram seu própio estilo/corportamento/estética/ética/valores, seus própios recursos para dar continuidade para criar/fazer o que eles acreditavam e lutavam! Esse álbum foi um dos primeiros passos para isso, e se hoje as coisas estão melhores em muitos sentidos para a juventude brasileira, tanto musicalmente quanto culturalmente, muito se deve a esse grito suburbano dado pelos jovens punks paulistas em 1982!!!
Faixas do álbum:
Inocentes: Garotos do subúrbio - Medo De Morrer - Pânico Em S.P - Morte Nuclear -
Olho Seco: Desespero - Sinto - Lutar, Matar - Eu Não Sei -
Cólera: João - Gritar - Subúrbio Geral - Hei
Punk Rock Discos 1982.
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Jail Guitar Doors - "You Talkin´ To Me?" CD

Desde o final da década de ´70 o Japão revelou grandes bandas de punk rock como The Star Club, Laughin´ Nose, Cobra, Blue Hearts, The Strummers, The Ryders, Youth Anthem, L.R.F, The Hawks, The Cokes e muitas outras. O maior problema pra quem curte punk japonês aqui é que é muito difícil conseguir material dessas bandas, você acaba dependendo de um amigo que está indo para lá, e que tenha um tempo para procurar os discos para você ( coisa rara, os caras estão sempre na correria de trampo e nunca tem tempo para isso! ) ou quando tem a sorte de achar um disco perdido em alguma loja daqui, que foi o caso desse cd do JGD. Já tinha ouvido falar da banda, mas somente agora ouvi o som dos caras, e valeu muito a espera! Aquele padrão de qualidade da música japonesa está todo aqui; ótimos músicos, excelente gravação, qualidade gráfica/arte impecável, e o melhor é claro a música, punk rock fudidamente bom!!! Pelo nome da banda deu pra sacar a influência deles, até o timbre de voz do vocalista Takeshi lembra o Joe Strummer, mas está longe de ser apenas uma cópia do Clash, é o típico punk rock japonês, melódico, trabalhado, guitarras absurdamente criativas, com uma pequeno toque de música pop local e cantado em japonês, um idioma que fica fantástico nesse tipo de som. Voltando ao album, são 6 faixas apenas, todas excelentes, e quando acaba fica uma sensação de podia ter muito mais...Se você não tem preconceito com som cantado em outros idiomas ( sei que tem muito babaca que só ouve punk em inglês ) procure as bandas japonesas, é retorno garantido!!!
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
Slot - "Little Room" CD
Provavelmente a maior revelação do punk rock de São Paulo, o Slot vem fazendo os melhores shows do gênero na cidade e esse cd é uma prova do potencial de uma banda que nasceu pra dar certo: ótima ao vivo e no disco! "Little Room" é um desses discos que ficam muito tempo rolando no aparelho, é realmente "viciante" no melhor sentido da palavra, pra colocar, ouvir com atenção e sentir as ótimas vibrações que saem do disquinho, uma mistura perfeita de punk com rock´n´roll, por quem sabe o que esta fazendo! Fica difícil demais destacar faixas em album tão equilibrado! Mas vamos a elas então, "Good Old Song" e sua referência ao Clash é um dos grandes destaques, alíás referências não faltam ao Slot! Ramones, Beatles, Social Distortion, Green Day, mas tudo com a cara da banda, que mostra muita personalidade antes de tudo. Voltando as músicas, "Uhu" é linda ! Altamente dançante! "Rocker" é demais também, rockão dos bons, asssim como "I Couldnt Sleep" e suas influências ´60 ( aliás bem forte na maioria das faixas ). Tem espaço ainda para "baladas" românticas (de muito bom gosto!) como "Sunrising" ,"I Love This House" e "Pretty Girl", pra ouvir bem acompanhado! Enfim, um disco variado, ótimo pra ouvir sem compromisso, a não ser com a boa música, tanto sozinho em seu quarto, em uma dia ensolarado ou pra animar uma festa com seus amigos! Compre e comprove!
Contatos: www.slotband.com
terça-feira, 29 de julho de 2008
Infect - " Complete Discography" CD

Infect surgiu no final dos anos ` 90 (mas precisamente em ' 98) em São Paulo. O maior diferencial da banda em relação as outras era ser formada apenas por garotas, tocando um agressivo e furioso hardcore/punk em alto e bom português. Esse cd, que saiu nos Estados Unidos pelo selo 625 Rec., cobre toda a carreira da banda até seu final em 2003. Estão presentes aqui demos, eps, splits, coletâneas e os discos individuais que foram lançados por diferentes selos, tanto daqui ou do exterior. Ouvindo o disco, que tem 46(!) canções, pode ser notada toda a evolução da banda, de um hardcore mais crú e visceral até faixas mais trabalhadas e criativas, e sempre mantendo a fúria!
As letras abordam temas como alienação, homofobia, sXe, injustiças sociais, direitos das mulheres, guerra e outros tópicos do punk, de forma simples e direta. Minhas preferidas desse disco no momento são: "Estrépito", "Condicionado(b)", "Assalariado", "Clareza", "Todas Temos" e "Longe De Você". E além das excelentes músicas próprias sobra espaço ainda para 2 versões que ficaram ótimas; "Classe Dominante", um clássico do grande Restos De Nada ( importantíssima banda punk de São Paulo ) e "Time To Change" dos americanos Insted (uma excelente banda sXe da década de '80). Um Cd indicado para quem aprecia o hardcore/punk como ele deve ser: rápido, direto e principalmente honesto, sempre!
Contatos do selo:
www.625thrash.com
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